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Complex Music fez uma entrevista profunda com Mike Shinoda sobre o LIVING THINGS, o show ao vivo do Linkin Park, os projetos paralelos de Mike, suas ambições e sobre o que o futuro pode reservar. Leia a entrevista completa traduzida abaixo:
Quando o álbum de estréia do Linkin Park, Hybrid Theory, saiu em 2000, a banda estava na face dianteira da mudança da música alternativa. Aquele projeto foi o álbum mais vendido do ano, ele rendeu à banda um Grammy, eventualmente chegou a Disco de Diamante e está marcado para sempre como um dos álbuns que definiram a direção de um novo gênero do rock na virada da década.
Muita coisa mudou desde então.
Temos visto muitas bandas de rock alternativo que foram mescladas injustamente no vai e vem do Linkin Park e temos assistido uma mudança na música que tornou boa parte do rock popular dos anos 2000 uma coisa do passado.
Passou-se mais de 10 anos desde que eles explodiram no estrelato e o Linkin Park continua provando, de forma bem convincente, que eles não são uma coisa do passado. Seu último álbum, Living Things, estreou em 1º lugar nos gráficos da Billboard 200 e vendeu mais de 220.000 cópias na primeira semana de seu lançamento.
Sentamos com o rapper, compositor, guitarrista e produtor do Linkin Park, Mike Shinoda, para saber o que mudou desde aquele primeiro álbum e o que mantém o Linkin Park firme e forte após todos esses anos.
Entrevista de Jacob Moore (@PigsAndPlans)
Na última vez que nós conversamos você ainda estava trabalhando no Living Things. Agora que você terminou o álbum, como você se sente em relação a ele?
Bom, como eu me sinto? Eu me sinto bem. O que estávamos tentando fazer quando começamos a trabalhar nele era uma ponte entre todos os álbuns anteriores. Queríamos que alguns fãs antigos gostassem do novo material e que alguns dos novos fãs gostassem do antigo material, queríamos misturar tudo isso. Nesse momento, estou muito bem em relação à resposta. A resposta aos singles tem sido maravilhosa. Tem sido até melhor do que aquilo que eu imaginava. Ao mesmo tempo, estou realmente animado para tocar outras faixas do álbum ao vivo. Algumas delas são um pouco mais aventureiras. Eu quero colocar de verdade, por exemplo, “Until It Breaks” no set. Será divertido.
Como você se sente em relação ao estado atual do rock? Uma das coisas legais no Linkin Park é o fato de que vocês sempre juntaram muitos gêneros diferentes e isso parece ser uma coisa importante no rock atual.
Sim, o rock talvez esteja mais fragmentado hoje do que já foi há 10 anos, com toda certeza. 10 anos atrás, quando nossa banda surgiu, tudo estava voltado para um tipo de som e todos estavam fazendo variações desse som. Nós odiamos sermos arrastados para isso. Não nos importávamos com as bandas que estavam sendo arrastadas para isso, nós apenas não gostávamos da ideia de alguém nos dizendo que havia um movimento nu-metal e colocar a bandeira do mesmo em nossas mãos. Em toda entrevista, nós dizíamos que não estávamos tentando levantar a bandeira daquilo, porque sabíamos que aquilo não era nosso estilo, e nunca foi. Temos seis caras com gostos musicais drasticamente diferentes e sempre estamos dando uns aos outros materiais diferentes. E esse material passa de um cara para o outro e acaba por influenciar a música. Quanto mais tocamos juntos, isso se manifesta no que compomos e no que gravamos.
A música, especialmente a eletrônica, parece estar se ligando muito ao hip-hop e ao rock. Como você se sente sobre isso? Você ouve esse tipo de coisa?
Eu nunca me importei se o que tá na moda se liga a outros gêneros. Contato que seja uma coisa verdadeira.
Você acha que é uma fase?
Eu acho que aquilo que não é verdadeiro vai ser ultrapassado, sim. Tipo, se você vê dois artistas se juntando porque isso vai vender álbuns, mas eles não se aprofundam nas músicas ou gêneros uns dos outros, você tem a sensação de que isso é falso. Pelo menos para nós, se nós começamos a testar coisas que não são familiares para nós, há uma honestidade entre nós. Um tempo atrás com o Hybrid Theory, estávamos colocando um mix eletrônico, bateria e baixo nas nossas músicas – tipo em “Papercut”, você realmente consegue ouvir isso lá. Eu acho que nem consigo te falar 10 músicas desse tipo ou artistas que faziam isso, mas na época estávamos bem ligados a isso. Estávamos formando vários sets com muito material, tipo 90 minutos de mix de porcarias que não conseguíamos definir e, isso foi demais.
Com o passar dos anos, como o show ao vivo de vocês tem evoluído?
Nós trabalhamos muito no nosso show. No começo nós tínhamos apenas um álbum, com menos de 40 minutos de duração, e dentro dos primeiros nove meses as pessoas esperavam que tivéssemos um set de uma banda principal. Dá para imaginar isso? As pessoas esperavam que tocássemos pelo menos 60 minutos e nós não tínhamos nem 45.
O que vocês fizeram?
Ocasionalmente nós fazíamos covers. Outras vezes nós enrolávamos e tornávamos nossas músicas mais longas. Conversávamos muito entre as músicas. Agora nós temos o problema oposto, onde temos muitas músicas e não sabemos como colocar tudo isso em um set e fazer um set interessante, mantendo um fluxo legal. Os novos sets são os sets com a maior energia entre todos os que tocamos em tipo, sete anos.
Você tem uma música preferida em seu álbum preferido?
Não, assim, eu acho que eu posso ter, mas isso muda. Eu citei “Until It Breaks” mais cedo. Eu gosto dessa porque é um pouco mais selvagem do que a maior parte das outras músicas do álbum. Hoje nós tocaremos “Lost In The Echo”, que é outra favorita minha. Eu gosto de tocá-la por ela ser bem enérgica.
Eu li que “Skin To Bone” e “Roads Untraveled” tiveram influência de Bob Dylan. Isso é interessante.
Isso foi o Chester. Em um certo ponto durante a composição do Living Things, estávamos ouvindo música folk — tivemos essa fase, durante meses, onde nós apenas ouvíamos folk. Brad e eu estávamos ouvindo materiais dos anos 20 e de antes disso. E Chester estava ouvindo Dylan e coisas do tipo. E acabou que o Dylan e o movimento folk dos anos 60 foram influenciados pelos materiais dos anos 20 que estávamos ouvindo. Isso era o que tinha entrado na cabeça de Dylan e dos outros e eles estavam trazendo aquilo de volta.
Particularmente para nós, há uma antologia feita pelo Instituto Smithsoniano que é realmente ótima. Eu na verdade consegui uma playlist a partir dela no Spotify. Ela contém muitas músicas das prisões do Sul. É incrível. Tem entrevistas com os artistas e eles começam e terminam cada frase com “senhor” ou “chefe”, porque eles estavam falando com os guardas das prisões sobre suas músicas.
Eu lembro quando Kurt Cobain disse que seu artista preferido era Leadbelly. Eu estava no ensino médio e eu ouvi isso e fui arrastado até isso, o que foi bem louco para mim.
É bem louco não é? Os formatos das músicas sempre são bem similares, mas as formas como eles se expressam quando estão cantando as músicas são bem insanas.
Em que se diferencia o trabalho em um álbum do Linkin Park do trabalho que você faz nos seus projetos paralelos, tipo o Fort Minor, ou o score de The Raid Redemption?
Bom, todos são diferentes. Eu acho que sabemos o que está em destaque quando estamos fazendo um álbum do Linkin Park, então nossa atenção aos detalhes não se volta para outras coisas. Com o Fort Minor, a coisa foi bem solta, e de fato eu nunca pensei em lançar aquele material quando eu o fiz, então a abordagem foi bem diferente. Com o Linkin Park há uma rigidez no processo. Toda Segunda nós nos reunimos para falar sobre como estão indo as músicas, o que tem mudado, ideias, o que gostamos, o que não gostamos. Nós discutimos tudo isso e depois desse dia, pelo resto da semana, nós trabalhamos nas músicas. Então na Segunda é super rígido, quando saímos do encontro de Segunda, tudo fica sem forma novamente, o que funcionar, funcionou.
Há algo que você queira conquistar musicalmente que você não tenha conquistado ainda?
Sim, é difícil de descrever, mas eu acho que todas as vezes que eu vou compor uma música há uma tentativa de desafiar a mim mesmo a aprender algo ou a fazer algo que eu não fiz ainda. De verdade, eu acho que isso começou após o segundo álbum. Nós percebemos que se fizéssemos um terceiro álbum como os dois primeiros, nós estaríamos presos fazendo aquilo para sempre, e isso nos aterrorizou. Desde então nós temos tentado nos forçar a nos manter espertos e a nos manter entretidos.
Há algum artista por aí com o qual você realmente gostaria de trabalhar? Eu sei que você mencionou que está numa fase Azealia Banks. Há algum outro artista que você anda ouvindo bastante?
Eu tenho falado com algumas pessoas. Eu escuto dez vezes mais música indie do que eu escuto músicas do momento. Na verdade eu ouço pouquíssimas músicas da moda. Eu sou daquele tipo que, no ensino médio, se uma banda que eu ouvia começasse a ter mais audiência, eu pararia de ouvi-la. Eu não a odiaria. Mas se os jogadores de futebol e as líderes de torcida começassem a ouví-la, eu pararia. E com o tempo eu aprendi a escolher coisas que eu sabia que eles não ouviriam. Tipo, de maneira nenhuma aquelas garotas ouviriam Wu-Tang Clan, então isso era demais, sabe?
Estamos em uma época que esse material prevalece cada vez mais, e está crescendo mais do que o que era naquela época. E esses artistas têm toda a razão de escolherem com quem eles trabalham. Para ser honesto, eu sei disso porque eu já falei com alguns e eles responderam coisas do tipo, “Olha, eu gosto de você, e eu adoraria trabalhar com sua música, mas eu não sei se isso seria uma coisa boa para nós nesse momento”. Eu realmente respeito e entendo isso completamente. Mas no fim do dia, é nisso que meu coração está. Mesmo sabendo o que nossa banda é, sempre há aquele elemento persistente ao fundo.
Então o que vem por aí para você? Você planeja dar continuidade há algum projeto paralelo?
As pessoas sempre perguntam sobre o Fort Minor e coisas como essa. Eu definitivamente estou aberto a fazer coisas desse tipo algum dia, é apenas uma questão de quando. Eu farei mais scores também, provavelmente fazendo algum rap. Fora isso, manteremos nossas cabeças no lugar e focaremos em mais materiais para o Linkin Park. Criativamente, nós estamos bem impulsionados no momento.
Agora que você terminou esse álbum, você entrará de cabeça na composição novamente?
Tradicionalmente, as bandas compõem e depois fazem a turnê do álbum até o final do ciclo. Para nós as coisas não são mais assim. Então nós colocamos o tempo em turnê onde ele deve estar e depois trabalhamos um pouco na composição. E se não parece que o tempo compondo foi suficiente, separaremos mais algum tempo para isso. Isso não funcionaria com todas as bandas, mas funciona conosco por ser como um músculo. Se você corre todo o dia, você não ficará dolorido. Se você não tem corrido durante seis meses, nas primeiras vezes que você volta a correr, você se sente um caco. Se você entra em estúdio, após seis meses sem escrever algo, isso não funcionará.
A última coisa que eu quero lhe perguntar é sobre os fãs. É estranho que vocês tenham tido tanta aparição na mídia, mas os seus fãs continuam parecendo um grupo bem fechado de fãs de hardcore. Estávamos andando de ônibus aqui e foi com um experimento. As pessoas estavam todas cantando e um cara falou, “Vocês aí não estão cantando, vocês não sabem a letra!”
[Gargalhadas] Ah, fala sério! Mesmo? Isso é engraçado. Qual a idade do grupo?
Era uma mistura. O líder da cantoria era um pai com seus filhos.
Isso é o que me intriga no momento. Existem pessoas que se envolveram com o Linkin Park e que eram mais velhas do que nós. Eu tinha mais ou menos 24 anos, e havia caras mais velhos que a gente naquela época, agora eles têm filhos e seus filhos são crescidos o suficiente para nos conhecerem na adolescência. É uma coisa bem interessante que acontece conosco nos shows.
Me contaram uma ótima história. Um cara me disse, “Se você quiser ver uma alegria puramente musical, uma alegria pura da experiência de um fã, eu lhe enviarei uma foto do meu filho no seu show por e-mail. Foi seu primeiro show. Ele tem 13 anos de idade. Do momento que as luzes se acenderam até quando elas se apagaram, ele ficou no seu lugar com suas mãos no ar, gritando cada palavra”. Eu disse, “Você não tem problema com os palavrões?” Ele me disse, “Contanto que esteja na música, ele pode gritar isso o mais alto que ele puder, por toda a duração do show. Assim que ele chega em casa, não pode mais”. Eu achei essa uma ótima regra. Eu vi a foto e era verdade, era tipo a essência de um perfeito primeiro show para um garoto. Quando eu vejo coisas como essa, é isso que nos anima, é por isso que fazemos isso. É tão inspirador ver o que acontece lá fora.
Fonte: Complex
























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