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30 set

Primeira Coluna de @mikeshinoda como Correspondente Americano da @BigIssue


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A primeira coluna de Mike Shinoda como correspondente americano das eleições presidenciais dos EUA para a The Big Issue foi disponibilizada online no site da revista. Leia a tradução abaixo e confiram também o primeiro artigo escrito por ele para essa revista, que tratou do POWER THE WORLD e do Music For Reliefe, aqui.

MIKE SHINODA: VOCÊ PRECISA DE OPOSIÇÃO PARA TER UMA POSIÇÃO



O vocalista do Linkin Park e o correspondente das eleições americanas para a The Big Issue, Mike Shinoda, diz que a internet é uma ‘briga de cães’ política da qual nós precisamos.



Quando a The Big Issue me pediu para escrever como seu correspondente Americano da eleição presidencial dos EUA, eu sabia que era uma ideia terrível. Escrever uma coluna seria um jeito fácil de me trazer problemas, porque a) existem várias pessoas que devotam muito tempo à política e b) como membro do Linkin Park, eu tenho muito a perder ao mergulhar nos comentários políticos.



Já que eu tenho atração por ideias terríveis e obviamente por riscos, eu agarrei a oportunidade. O negócio é o seguinte: para muitos, a eleição presidencial dos EUA é um tempo de ‘limpeza’ virtual nas mídias sociais. Por mais que eu não passe muito tempo no Facebook ou no Twitter, minhas timelines podem ocasionalmente parecer um campo minado de arrependimento social. Estou no meio de um dia de trabalho e por acaso apareço online para ver o que meus amigos estão fazendo… aí BANG: alguém aparece para me ofender, me irritar ou me entristecer com algum tipo de explosão insana sobre armas, gays, dinheiro ou religião, e como tudo isso se liga à grande tragédia que o mundo se tornou ou se tornará. Aff.


Para quase todos nós, esses sermões nas redes sociais aparecem regularmente durante todo o ano – mas o período das eleições é a época mais tentadora para a nossa mídia social fazer suas pregações. A cada bomba de lixo político-social, ele desenha uma linha na areia, declarando: ‘Eu irei postar descaradamente links de leitura rápida para uma campanha eleitoral exagerada até o fim dos meus dias, e não há nada que você possa fazer para me parar!’ Unfollow!


Mas aí, por mais que eu deteste essa praga, ela obviamente não me impedirá de usar as mídias sociais. Eu nem penso em todos os benefícios que sites como o Twitter, Facebook e Tumblr trazem, porque esses sites estão tão bem tecidos na vida cotidiana que eu nem mesmo estou ciente de que os estou usando hoje em dia.


Eu sempre sei exatamente como meus amigos e familiares estão indo, eu recebo minhas rajadas de notícias em um segundo e fico sabiamente ciente de quais filmes e músicas valem a pena ser conferidos– e quais eu devo evitar.


Anos atrás isso era diferente. Na música, nós ouvíamos um novo single incrível e comprávamos o álbum, apenas para sermos atingidos pelo quão ruim o álbum era. Os cinemas explodiam com campanhas caras com anúncios grudentos e demoraria uma semana ou mais para que a notícia de que o filme era uma bosta se espalhasse – nesse meio tempo, eu e todos que eu conheço já teríamos visto ele.


Hoje, as pessoas nem se levantam para sair do cinema antes de digitar uma mensagem que informe a todos o que eles pensam exatamente de um filme (‘Um alô para quem quer que tenha feito The Possession, valeu por me fazer gastar R$13 no pior filme de todos os tempos. #cadeestameureembolso’).


Mas enquanto isso evolui e me ajuda a tomar sábias decisões, a internet está ficando sábia por conta própria. Focalização comportamental e publicidade inteligente – como o Google Adsense – estão me cercando com o que eles sabem que eu estou procurando: mais daquilo que eu gosto. Mas poderia isso significar que estou sendo cercado por aquilo que já se parece comigo?


Há uns seis meses atrás, eu estava procurando piscinas comuns na internet quando eu percebi um anúncio no canto direito da tela, que falava de uma peça de equipamento musical que eu possuo. Isso me chamou a atenção porque a) o site era um dos mais populares sites no mundo dos que falam Inglês e b) o equipamento musical que estava sendo anunciado era um produto de nicho de mercado, definitivamente algo que a maioria das pessoas não estariam interessadas ou com o que iriam potencialmente se importar.


Por um momento eu pensei: ‘Quão bizarro – por que essa empresa iria gastar o dinheiro necessário para colocar seu anúncio na página inicial desse site?’ Mas então eu percebi: eles não gastaram. O anúncio estava lá baseado no meu comportamento: já que eu visito frequentemente sites de equipamentos musicais, eu recebi aquele anúncio. Meu amigo Mark, um grande fã de esportes, talvez tenha clicado na mesma página e recebido um anúncio de ingressos para um jogo de beisebol ou de novos tênis.



Por um lado, eu gosto da ideia dos anúncios serem ‘peneirados’ de acordo com o meu gosto – eu prefiro ver coisas que eu gosto do que coisas que eu não gosto. Por outro lado, o que acontecerá quando os anúncios que me cercam se limitarem a versões de coisas que eu já vi ou que eu já ‘curti’?


Se tudo está voltado para corresponder aos meus interesses, será que isso não significará que eu estou deixando passar vários materiais que estão fora dos meus limites ou do meu ‘sistema de curtir’?


Voltando para as eleições. Na versão ‘mais esperta’ da realidade, talvez eu tenha lido algo como – ‘O PASSADO ESCANDALOSO DE MITT COM A BAIN CAPITAL” ou “OS PLANOS DE BARACK OBAMA PARA UM SISTEMA DE SAÚDE SOCIALISTA’. Naquela página e na maioria das que eu visito após essa, estou cercado por links com mais do mesmo.


Enquanto a internet começa a me conhecer melhor, estou correndo o risco de perder a perspectiva alcançada através da oposição às opiniões ou às crenças? Se tudo que eu ler mostrar apenas uma versão do mundo, começarei eu a acreditar que nenhuma outra versão realmente existe? E a pergunta mais assustadora: isso já está acontecendo?


Talvez seja aí que os pregadores chatos e idiotas das nossas redes sociais possam nos ajudar. Eles podem nos levar a loucura às vezes, mas eles também podem prover algo que nós talvez pudéssemos perder: perspectiva. Em outras palavras: é melhor saber o que os idiotas estão pensando do que não conhecer os idiotas de forma alguma.


Mike Shinoda é compositor e membro fundador dos gigantes do rock, Linkin Park. Siga @mikeshinoda. Leia mais no mikeshinoda.com. Mike estará de volta em algumas semanas.

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Categoria: Artigos, Mike Shinoda