Para evitar cair na previsibilidade, o grupo de rap-rock de grande sucesso de L.A. tem abandonado a sua fórmula comprovada.


POR GEORGE VARGA
QUINTA-FEIRA, 17 DE FEVEREIRO, 2011 ÀS 07:00 A.M


A adulteração de uma fórmula vencedora muitas vezes pode ser suicídio comercial, especialmente no mundo fortemente competitivo da música pop. Mas quando o Linkin Park gravou seu último álbum, “A Thousand Suns” de 2010, os membros desta banda do topo do rock-rap de Los Angeles fizeram mais do que apenas considerar se desviar da sua abordagem musical premiada do passado – eles eram o máximo, mas abandonaram isso.


Não importa que seu álbum de estréia em uma grande gravadora, “Hybrid Theory”, tenha sido o mais vendido de 2001, quando seus 4,8 milhões de vendas no EUA (e 3,8 milhões no exterior) superaram com folga os lançamentos concorrentes de U2, Britney Spears, Garth Brooks e Alicia Keys. E não importa que o Linkin Park tenha vendido 50 milhões de álbuns em todo o mundo nos últimos 10 anos, um feito que levou a revista Billboard a declará-los a banda nº 1 de venda na categoria Rock/Alternativo da década.


Porque quando chegou a hora de fazer o “A Thousand Suns”, os membros do Linkin Park não sentiram que era uma mudança que apenas valia a pena considerar, mas que era indispensável. Pelo menos era, se a banda quisesse evitar ficar presa em uma rotina, não importa o quão lucrativa essa rotina tenha sido.


Ou, como o vocalista Mike Shinoda declara com partes irônicas e desafiantes em “When They Come for Me”, uma canção de destaque do novo álbum do grupo: Once you have the theory of how the thing works / Everybody wants the next thing to be just like the first. (Uma vez que você consegue a teoria de como a coisa funciona / Todos querem que a próxima seja igual à primeira)


“A coisa agradável sobre a nossa banda é que todos estão abertos a mudanças e novas idéias e não há ninguém preso a uma idéia de como nossa banda deve ser”, disse Shinoda, que toca neste domingo com o Linkin Park, na Arena Viejas da Universidade Estadual de San Diego. “Assim, se decidirmos mudar completamente nossa direção no futuro, enquanto todos nós estivermos de acordo, nós o faremos”.


Por enquanto, “A Thousand Suns”, prevê muitas mudanças (pelo menos quando se trata de esperança) sendo um álbum que aborda de uma forma não menos ambiciosa o potencial desaparecimento da humanidade. Seu título foi inspirado por J. Robert Oppenheimer, o famoso físico do Projeto Manhattan, que ajudou a desenvolver a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial.


Consequentemente, a música outrora explosiva do Linkin Park, tem suas guitarras distorcidas e batidas bem pesadas substituídas no “A Thousand Suns” pelos suavizados teclados e percussão. Densamente arranjadas, as músicas tendem a rejeitar o “rock pesado” em favor do, bem, “árduo pensamento”.


“Quando o álbum saiu, nós sabíamos que seria um recorde de polarização”, observou Shinoda, com 33 anos, que estudou piano clássico quando criança antes de se tornar um viciado em hip-hop.


“O que nós sabíamos quando começamos era apenas que o cd seria diferente de nossas ofertas anteriores. Neste ponto, encontramos a paz com a idéia de que algumas pessoas iriam amá-lo e outras odiá-lo. Mas nós lançaríamos um álbum a menos que estivéssemos certos de que poderíamos nos apoiar nele, e o ‘A Thousand Suns’ não é exceção”.