A Banda Californiana está em Contagem Regressiva com o ‘A Thousand Suns’

ANNE ERICKSON • NOISE • 20 de Janeiro de 2011



Há uma boa chance de você já ter ouvido “Waiting For the End” – que é agora o hit nº1 de rock onipresente nas paradas de metal alternativo da Califórnia, obra do Linkin Park – várias vezes nas rádios.



E se você prestou atenção na letra da canção, você provavelmente descobriu também que ela é bem profunda para o padrão dos hits das rádios.



“Waiting for the end to come / Wishing I had strength to stand,
(“Esperando o fim chegar / Desejando que eu tivesse forças para aguentar,)



This is not what I had planned / It’s out of my control”
(Isso não foi o que eu planejei / Está fora do meu controle”)



Sombrio. Apocalíptico. Estranhamente encantador.



Este é o novo Linkin Park.



“Eu não sei exatamente porque e não houve um evento específico que tenha sido o catalisador de tudo isso”, disse o compositor, vocalista e guitarrista Mike Shinoda, referindo-se a gênese da música. “…Estas idéias de auto-extermínio e medo estavam saltando aos nossos olhos e nos surpreendendo.”



Isso era extremo. Mas quando Shinoda e seu companheiro nos vocais e nas composições, Chester Bennington, levaram as letras para a banda, o grupo percebeu o progressivo potencial da mensagem.



“Isso nos fez descobrir que todos nós sentíamos que realmente havia um medo universal, o qual eu acho que muita gente tem hoje em dia, esse medo de a humanidade estar como um todo, e tem estado por um bom tempo, à beira da sua própria destruição”, Shinoda disse.



“Quer isso seja rápido ou devagar, é apenas uma possibilidade que existe no mundo e estamos todos, eu acho, com medo disso em algum grau. Para nós seis, era um medo honesto e uma emoção sincera, e era adequado tornar isso parte da gravação. “



Essa sensação paranóica se tornou o tema do último álbum do Linkin Park, “A Thousand Suns” de 2010.



“O que nós esperávamos a cada final de dia, era que tivéssemos feito música boa e que chegássemos à um álbum como este, ‘A Thousand Suns’, onde as canções realmente trabalham em conjunto umas com as outras”, disse Bennington.



“Eu sei que até os fãs mais duros do Linkin Park têm realmente a mente aberta para o que fazemos e que às vezes as pessoas demoram algum tempo para digerir uma nova música, mas se sentassem para ouvir, especialmente este álbum, eu acho que as pessoas realmente apreciariam o que fizemos e o veriam da forma que nós planejamos.”



Na ‘Estrada Para a Revolução’



Quando o Linkin Park trouxer sua Turnê Norte Americana do “A Thousand Suns” para o Joe Louis Arena em Detroit, na terça-feira, podem esperar um show super-dimensionado, para combinar com a sensação de grandiosidade do álbum.



“O visual do show tem muito a ver com o aspecto do ‘A Thousand Suns’ “, disse Shinoda. “Muitos dos temas do novo álbum assumem um papel central no visual do show. Nossa equipe de arte desenvolveu uma tecnologia específica para esse show, e ela tem muito a ver com o fato de que não tocamos exatamente a mesma coisa todas as noites.”



“Nós tocamos set lists diferentes, e improvisamos dentro delas, por isso queríamos uma maneira de o visual do show manter um tipo de fluxo e refluxo com tudo o que fizermos com a música.”



E embora, o “A Thousand Suns” esteja em primeiro lugar no conceito do Linkin Park, os caras prometem não tocar o álbum na íntegra nesta turnê. Afinal, uma banda inteligente o suficiente para permanecer relevante por mais de uma década sabe que os fãs querem ouvir as faixas que construíram o legado do Linkin Park.



De ‘Hybrid Theory’ Para ‘Suns’



O cenário musical do Linkin Park não é nenhuma baboseira genérica de rock alternativo. O rank da banda inclui dois cantores MCs (Bennington e Shinoda), um DJ/sampler (Joe Hahn), um guitarrista (Brad Delson), um baterista (Rob Bourdon) e um baixista (David “Phoenix” Farrell). Essa configuração, em conjunto com os vocais de hip-hop e as sensibilidades do nu-metal, dá ao Linkin Park uma sensação épica e orquestral.



O sucesso aconteceu rapidamente para a banda, que passou de gravar e produzir músicas no quarto de Shinoda, em meados dos anos 90, à vender mais de 10 milhões de cópias no seu álbum de estréia, “Hybrid Theory”, em 2000.



Impulsionados pelos hits de rock Número 1 “In the End”, “Crawling” e “One Step Closer”, ouvir o “Hybrid Theory” tornou-se um privilégio para qualquer um que crescia nos anos 2000, período pós-grunge, era do rock alternativo. A Billboard denominou, o “Hybrid Theory”, o número 11 na lista dos “200 Álbuns Mais Quentes da Década”. Os críticos consideraram a versão “inovadora”, “complexa” e “histórica”.



Em seguida veio um álbum de remixes (“Reanimation”). E então, o “Meteora” de 2003, repleto de uma atmosfera eletrônica, guitarras zumbindo, sons heterogêneos, letras maduras e tudo mais que temos no angustiado rock moderno. O álbum foi como um grande single, com os tops “Somewhere I Belong”, “Faint”, “Breaking the Habit” e “Numb”.



Tudo isso foi seguido por mais trabalho, de parcerias com Jay-Z (“Numb Encore”) para trilhas sonoras de filmes (“Transformers”) até turnês mundiais.



Hoje, a banda é considerada um dos maiores grupos de rock moderno de todos os tempos.



Como o grupo ficou tão popular, e por tanto tempo?



“Eu acho que tudo isso é devido às gravações e aos álbuns que fizemos”, disse Shinoda. “Agora, sempre que ouvimos uma demo trazida por um de nós e ela soa muito familiar, é meio chato para nós. Desanima a banda. Então nós apenas tentamos manter as coisas frescas, nos manter animados e tentamos fazer música honesta e que gostamos de ouvir.”



“Pontos de Autoridade”



Embora os integrantes do Linkin Park curtam sua fama que nunca acaba, eles também entendem que, com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Eles são os primeiros a se tornarem voluntários para tocar em shows de caridade e doar para instituições sem fins lucrativos (Live 8, Special Operations Warrior Foundation).



E, eles têm sua própria organização dedicada a ajudar as vítimas do terremoto no Haiti. “Music for Relief” é dedicada a fornecer fundos para vítimas de desastres naturais e para a conscientização quanto ao aquecimento global.



Um dólar de cada ingresso vendido nesta turnê vai diretamente para “Music for Relief”.



E embora você mal consiga reconhecer o novo álbum pelo ar dark que ele traz, os caras estão otimistas sobre o futuro.



“Eu sinto que nós fizemos muitas coisas certas. Nós tivemos muita sorte. Cometemos alguns erros que, olhando para trás, se nos fosse dada a oportunidade de mudar as coisas, provavelmente mudaríamos”, disse Shinoda.



“Criativamente, eu sinto que a banda está realmente excitada. ‘A Thousand Suns’ foi realmente um álbum importante para nós, e não apenas à nível criativo, mas na verdade também à nível de amizade do grupo. Eu acho que as coisas estão muito positivas e, por isso estamos ansiosos para ver o que o futuro reserva.”