Por MESFIN FEKADU – Associated Press | Publicado na: Quarta-Feira, 16 de Fevereiro



No dia seguinte ao lançamento do novo álbum do Linkin Park, seu vocalista, Chester Bennington, conectou-se ao iTunes para verificar algumas das opiniões. Embora as respostas não tenham sido todas positivas, ele gostou do que leu.



“Desta vez, é como se alguns amassem e dessem cinco estrelas ao cd, e outros odiassem tanto que… se eles pudessem, jogariam o cd na gente”, disse Bennington. “E eu acho isso ótimo.”
Embora ainda haja heavy metal misturado com hip-hop no “A Thousand Suns”, há também psicodelia, momentos instrumentais que são um desvio das bases dos rap-rockers de Los Angeles.



Mike Shinoda, compositor líder do grupo, disse que “Suns” é um álbum que “requer muita atenção das pessoas.”
“É mais como uma experiência de 48 minutos do que apenas uma coleção de singles”, disse Shinoda.



“Nós realmente tentamos fazer um álbum que fizesse você viajar um pouquinho … queríamos levar as pessoas nessa jornada”, acrescentou Bennington. “É uma droga musical ou algo do tipo.”



O novo som não foi intencional. Embora na criação de 2007, “Minutes to Midnight”, os caras tenham dito que decidiram ir em uma direção diferente dos seus dois primeiros álbuns: o multiplatina “Meteora” de 2003 e seu álbum de estréia com 10 milhões de cópias vendidas “Hybrid Theory” de 2000.



Mas antes de criar “Suns”, os seis membros da banda estavam ocupados trabalhando em músicas para seu vídeo game “Linkin Park Revenge”, um aplicativo para iPhone. Rick Rubin, que co-produziu o novo álbum e também o “Minutes to Midnight”, disse que fazer as músicas para o jogo foi o “impulso inicial” para o som mais recente da banda.



“Foi interessante a forma como isso aconteceu, porque a princípio eles não sabiam que estavam começando o álbum … e é exatamente assim que as coisas assumem vida própria”, disse Rubin. “Então nós conversamos sobre, bem, talvez (se) essa era a música que eles queriam fazer, talvez fosse por onde deveriam ir.”
O veterano produtor musical disse que uma nova abordagem foi o melhor para a banda.



“Eles surgiram no final do movimento de rap-rock … e depois … quando o mundo da música alternativa se afastou desse tipo de música, eles ficaram em uma espécie de terreno perigoso”, disse Rubin. “Eles poderiam ter continuado fazendo músicas como essas, e teriam um grande sucesso, mas … eu acho que teria sido um jogo à curto prazo.”
Apesar de alguns fãs não apreciarem o novo disco, outros o fazem. “Suns” estreou como Número 1 no ranking de álbuns, Top 200 da Billboard neste mês; e também atingiu o primeiro lugar na Europa e no Canadá.



Bennington disse que por causa do som, a banda é conhecida por — – uma mistura de rap com heavy metal — – fica praticamente impossível satisfazer seus vários tipos de fãs.



“Como artistas, (fazer música é) um esforço completamente egoísta”, disse ele. “Nós estamos fazendo música para nós, músicas que nós gostamos. Não estamos fazendo música para outras pessoas … Não estamos pensando, ‘Vamos fazer um gráfico de pizza com todos os tipos de fãs que temos e descobrir quantas pessoas se encaixam em alguma categoria e, em seguida, fazer um álbum perfeito para eles’. Tipo, isso seria absolutamente ridículo.”



Bennington disse que a banda está mais interessada em crescer de forma criativa: “Nós gostamos de (nos) colocar na linha, por assim dizer, e realmente ter chances com a música que nós estamos fazendo, e estamos cada vez mais confortáveis fazendo isso”.



Uma das principais orientações artísticas da banda no “Suns” é o uso de discursos políticos. Há interlúdios que levam de uma entrevista com o físico J. Robert Oppenheimer sobre o Projeto Manhattan ao discurso anti-guerra de 1967 do Dr. Martin Luther King Jr., “Beyond Vietnam: A Time for Breaking Silence”.



“Eles estão ouvindo a esperança, estão ouvindo a raiva, estão ouvindo coisas sobre, você sabe, destruir a própria humanidade”, disse Shinoda sobre as mensagens do álbum. “Você fala com seus amigos, você vê coisas nos noticiários, você lê coisas online e tudo isso apenas acontece, e nós queríamos encontrar um jeito de colocar tudo isso junto.”



Shinoda disse que por causa da virada digital que a música tem tomado nos últimos dez anos, a maioria dos fãs esperam ouvir um álbum de singles, e não um álbum propriamente dito. Ele disse que queria ter a certeza de que o Linkin Park não se enquadrasse nessa faixa.



Citando uma frase do baixista da banda, Phoenix, Shinoda explicou: “Eu sinto como se a música que está lá fora no mainstream, em grande parte, seja muito doce. É bom na medida certa, é bom e causa uma pequena animação ou o que quer que seja mas depois não há substância nisso, e você não pode comer muito ou terá uma dor de barriga.”



“Eu quero algo que tenha alguma substância – algum sustento”, Shinoda continuou. “(Mas) nós estamos encontrando muitos fãs que estão tendo dificuldades até mesmo em abrir sua mente para isso, quanto mais para explicar o que eles estão ouvindo.”



Mas Rubin afirma que os fãs vão estar a bordo, no seu devido tempo.
“Eu toquei o cd para algumas pessoas que não gostam de Linkin Park, ou nunca gostaram de Linkin Park, e elas adoraram”, disse ele. “Vai demorar um pouco para as pessoas que gostam da banda descobrirem que gostam do cd. Será como se os fãs abrissem a mente e começassem a crescer junto com a banda.”