Tampa Music Bay
18 de janeiro de 2011



Os álbuns estão mortos. A indústria de shows está em ruínas. Na América não existem novas bandas de rock confiáveis.



Se alguma dessas coisas for verdade, ninguém lembrou do Linkin Park.



“Eu sinto que nós fizemos várias coisas certas”, o rapper e co-frontman Mike Shinoda disse durante uma recente conferência com repórteres. “Quero dizer, em 10 anos, a maioria das pessoas acabam com toda a sua gama, portanto, para nós, é mais uma questão de tentar ser a banda que queremos ser e aprender com nossos erros e com nossos acertos. Definitivamente, eu gosto de onde estamos agora.”



Onde eles estão é bem perto do topo, em se tratando do rock americano. Apesar de ter sido lançado em setembro, o quarto álbum de estúdio do Linkin Park, A Thousand Suns, foi um dos álbuns de rock mais vendidos de 2010 de acordo com a Billboard. E, apesar do ano sombrio da indústria dos shows em 2010, a venda de ingressos está boa para a banda quanto ao show da noite de sábado no St. Pete Times Forum. (O grupo se apresenta com Pendulum e Does It Offend You, Yeah às 7 pm no sábado, os ingressos custam de $25 à $67 (R$43,00 à R$116,00 mais ou menos). Clique aqui para mais detalhes.)



Depois de 15 anos, como o Linkin Park ainda consegue manter os fãs tão interessados no que eles fazem?



Uma resposta é a tecnologia. A banda já mergulhou de cabeça no mundo dos jogos online e dos produtos interativos. Entre eles: um aplicativo oficial que reune atualizações dos projetos paralelos de cada membro da banda, da parte de Shinoda, seu trabalho com hip-hop e artes gráfica, quanto ao vocalista Chester Bennington, seu grupo Dead By Sunrise, em relação à banda, sua instituição de caridade Music for Relief, que beneficia iniciativas de reflorestamento e dá apoio à desastres naturais.



Nesta turnê, quem comprar ingresso receberá grátis um mp3 para download de alta qualidade do show que assistiu. “Nós tocamos diferentes set lists e até improvisamos dentro do que está estabelecido”, disse Shinoda. “Em todas as noites, as músicas são diferentes e o visual também. Não existem shows iguais.”



O show imprevisível reflete a abordagem atípica de trabalho da banda. Considere o experimental A Thousand Suns – no qual os integrantes da banda trabalharam na maioria das faixas individualmente, ou em pequenos grupos.



“Alguns dias éramos só eu e Chester; na verdade na maioria das vezes éramos eu, Chester, e Brad (Delson, guitarras), e então nos outros dias os outros caras poderiam aparecer”, disse Shinoda. “Tentamos trabalhar em grupos maiores. Tentamos trabalhar com seis ou cinco, e escrever música dessa forma apenas não funciona com a gente.”



“Nós não perdemos muito tempo tocando e aprendendo as partes das músicas”, acrescentou Bennington. “Se um dos caras não está lá, você não tem que desperdiçar seu tempo. Uma canção pode assumir 50, 60 diferentes variações, quando conseguimos uma versão que gostamos e se estivermos todos reunidos e de acordo, aí sim nós iremos ensaiar isso.”



“Você escreve coisas mais interessantes quando está em grupos menores”, disse Shinoda. “O que é realmente divertido é que a música que você faz é diferente dependendo de ‘quem escreve o que com quem’ e de ‘onde você escreve’.”



Por exemplo, a faixa acústica The Messenger foi criada a partir de uma demo gravada no iPhone de Bennington, com alguns acordes acrescentados por Delson. “Não importava como era o som da voz que estava vindo do meu iPhone”, disse Bennington, “essa era a vibe; essa era a intenção que precisávamos ter em mente.”



Descobrir como por lado a lado as músicas experimentais do A Thousand Suns e os ragers clássicos do Linkin Park como One Step Closer e Faint, é um enorme desafio. “Em teoria, nós nos sentíamos muito confiantes sobre como isso iria funcionar, mas sabíamos por experiência que o que realmente importa é como vai acontecer no palco”, disse Shinoda. A Thousand Suns, disse ele, “traz uma narrativa para o show, que é muito boa – tem alguns tipos de laços que unem diferentes partes do show. Eu acho que algumas das velhas canções adquirem um novo significado quando colocadas nesse contexto.”



Shinoda disse que a banda está conversando sobre shows especiais, onde eles tocam o Thousand Suns em sua totalidade, para sentir melhor como está o álbum. Além disso, eles têm explorado a possibilidade de filmar em 3D – mas eles não estão prontos para falar sobre esses planos ainda.



“Tudo será liberado no linkinpark.com quando estiver pronto”, disse Shinoda.



Bennington acrescentou: “Não estrague a surpresa.”



Ele não precisa se preocupar com isso. Seja o que for que o Linkin Park venha a fazer, é provável que acabe surpreendendo a todos.



– Jay Cridlin, tbt*