O Linkin Park surgiu no fim da moda musical do nu metal e do rap-rock, em 2000. Mas enquanto bandas como Korn e Limp Bizkit continuaram no caminho antigo, o Linkin Park começou a evoluir o seu som e continuou fazendo os álbuns mais vendidos e conseguindo turnês com shows lotados.



Após a transição do gênero que os tornou famosos — uma fusão de hip-hop com metal — para um rock mais alternativo, no mais recente álbum da banda, “A Thousand Suns” de 2010, que apresenta uma paisagem eletrônica proeminente.



A banda do Sul da Califórnia, que faz show no HP Pavilion em San Jose na Terça-Feira, teve que aprender a tocar novos instrumentos e produzir novos efeitos sonoros para chegar à alguns dos sons eletrônicos industriais que são ouvidos no novo álbum.



“Eu puxo, empurro e giro mais botões”, diz sorrindo o co-fundador da banda e guitarrista, Brad Delson, em uma recente entrevista.



“Eu acho que isso obrigou a cada um de nós tocar, em algum momento do show, instrumentos com os quais não somos familiarizados e, no fim das contas, para mim isso é divertido. Diversifica minha função no palco. Eu não estou apenas tocando guitarra. Em uma das músicas eu toco bateria e canto”.



O sexteto, que além de Delson inclui, os vocalistas Mike Shinoda e Chester Bennington, o baixista David “Phoenix” Farrell, o baterista Rob Bourdon e o DJ Joe Hahn, se formou em 1996. Amigos de escola, Delson, Shinoda e Bourdon, convidaram outros três, incluindo Hahn e Farrell, para tocar juntos. Depois de vários anos, Bennington foi recrutado para substituir o vocalista que deixou a banda.



Dispondo de uma interação única, com Bennington como cantor e Shinoda como rapper, o lançamento de 2000 do Linkin Park, “Hybrid Theory”, vendeu mais de 10 milhões de cópias. A popularidade da banda continuou a subir com o sequencial de 2003, “Meteora”. Nesse período a banda ainda mantinha seu estilo nu metal, mas também expandia-se por um território mais alternativo. Após vários anos, anos esses em que os membros da banda trabalharam em projetos paralelos e remixagens de álbuns, seu terceiro álbum de estúdio foi lançado em 2007. Assim como seus antecessores, “Minutes To Midnight” também chegou ao topo dos rankings da Billboard.



“Eu diria que houve uma quebra no estilo e som da banda com o “Minutes to Midnight”, Delson diz. “Nós estávamos em um ponto em que queríamos nos aventurar por fora do som dos nossos dois primeiros cds, que tinham muito em comum sonoramente. Rick (Rubin, produtor) estava ansioso e nos encorajava a sair de qualquer idéia preconcebida do que nós poderíamos ou não fazer como uma banda. Então, eu acho que o “Minutes To Midnight foi uma gravação incrivelmente eclética, com vários estilos diferentes”.



O Linkin Park trouxe Rubin de volta para a produção do “A Thousand Suns”, o qual Delson descreve como um álbum feito para se ouvir como um todo, ao invés de músicas individuais e em ordem aleatória. O objetivo da banda era fazer com que cada som fosse eclético e único.



“Se você estivesse decorando uma sala, você não iria simplesmente à uma grande loja e encheria a sala toda com produtos”, ele disse. “Talvez você conseguisse um espaço físico mais interessante se tivesse uma coleção de itens que você fez, encontrou ou adquiriu ao longo do tempo e em diferentes lugares. Nós tentamos fazer isso em cada canção”.



O resultado final foi um som mais melódico — ainda industrial — vindo da banda. Imagine Nine Inch Nail conhecendo Coldplay. Alguns desses sons eletrônicos e industriais foram difíceis de reproduzir no palco.



“Houve um período muito desafiador para nós, que foi quando nós terminamos de gravar e ao ensaiar tivemos quase que redescobrir como fazer tudo, só que ao vivo”, Delson disse. “Mas, a parte emocionante de se assistir um show é ver a banda criar o som. Devido a isso, uma vez que descobrimos como fazer todas essas coisas, eu acho que nós crescemos como banda”.



Por Roman Gokhmanp
San Jose Mercy News
Postado em: 17/02/2011 às 01:00 AM PST