New Times Music
Por Reed Fischer, Quinta- feira, 20 de janeiro de 2011



Estar agora direto do carro de Chester Bennington é sem dúvida um prazer imenso. Ele tem meios para adquirir qualquer veículo no planeta, ele tem uma notável coleção de canções relevantes (sobre o que falaremos mais tarde), e seus sentimentos vão muito além de estar rastejando em sua própria pele.



“Estamos muito confortáveis não nos preocupando com o que as pessoas pensam”, diz o vocalista do Linkin Park, que divide a frente da banda com o rapper Mike Shinoda. “Pela primeira vez em nossa carreira, nós sabemos o que realmente isso significa.” Além disso, pela primeira vez em nossa carreira, nós realmente acreditamos nisso.



Em setembro passado, a banda de Bennington lançou o efusivamente adorado e injuriado A Thousand Suns, um experimento de estúdio, apocalíptico para seus próprios e freqüentemente limitados padrões do passados mas também para os padrões de rock, de pop ou de músicas de qualquer estilo. Anteriormente o Village Voice afirmou que o “O Linkin Park fez seu OK Computer”? Nah. Apesar ou por causa disso, na semana de lançamento o álbum vendeu 241.000 cópias e o Linkin Park ganhou o seu quarto Número Um na Billboard 200 – desbancando o Passion, Pain & Pleasure do Trey Songz por apenas 1.000 unidades – e manteve o grupo como um dos artistas mais populares no Estados Unidos.



Bennington está parado em seu carro em um bairro de Los Angeles, ele não queria dirigir enquanto falava com a New Times por telefone sobre a última temporada de sucesso. Sem surpresa, ele não vê isso da mesma forma que alguns jornalistas de música vêem, os quais se sentem confortáveis comparando o 4º álbum de estúdio do Linkin Park ao OK Computer do Radiohead ou ao The Dark Side of the Moon do Pink Floyd. Embora esses sejam “dois cds de duas bandas que não são ruins,” Bennington está lendo opiniões tanto profissionais quanto de fãs sobre o A Thousand Suns às quais são semelhantes às críticas recebidas ao longo de uma década de saturação do público em massa da banda.



“Nós sempre obtemos uma resposta bastante polarizada,” ele (Chester) afirma, dizendo suas palavras com cuidado. “De, ‘O que aconteceu com a banda que nós amamos? O Linkin Park desandou’ até ‘Esta é a melhor coisa que eles já fizeram e estamos felizes por vê-los crescendo, mudando e experimentando coisas novas.’ A Thousand Suns é definitivamente algo que nós sabíamos que as pessoas precisariam digerir e superar o fato de que isso não é o que eles pensavam que nós faríamos.”



As sementes da mudança foram plantadas no álbum anterior, quando o Linkin Park recrutou o barbado selvagem, produtor/levantador de moral, Rick Rubin (Beastie Boys, Jay-Z, Neil Diamond, Tom Petty, Johnny Cash). Já com Rubin o Minutes to Midnight de 2007, sugeriu esta transformação em alguns pontos. Mesmo singles como “What I’ve Done” e “Bleed It Out” estreando seguindo o modelo do vendedor multimilionário, Hybrid Theory, ouvindo qualquer som do Midnigth percebia-se espasmos eletrônicos de “Breaking the Habit” ou um facho de U2, “Shadow of the Day” mostra tranquilamente que não é o mesmo maníaco e faminto nü metal de antigamente.



A característica geral do A Thousand Suns é que ele não tem emendas, tanto musical quanto conceitualmente. Intercalado com as palavras de pensadores revolucionários como Martin Luther King Jr., o físico projetista de Manhattan, J. Robert Oppenheimer (que inspirou o título do álbum com o seu Bhagavad Gita – citando as observações da detonação da primeira bomba atômica), e a liberdade de expressão ativista de Mario Savio, este Rubin guiou a fuselagem do rock, hip-hop e eletro que implorava para ser ponderada e levada a sério. Da balada de piano “Robot Boy” com ecos da “What You Know” do T.I para o single “The Catalyst”, um hino ardente mostrado um pouco no interlúdio de abertura do álbum, ainda soa muito como Linkin Park – ainda que futuristas, de uma forma esculpida.



“I’m awfully underrated, but I came here to correct it/And so it ain’t mistaken/Imma state it for the record,” temos uma parceria de Bennington nas rimas e a visão de Shinoda nos raps em “When They Come for Me”, uma faixa caracterizada como uma “declaração ousada sobre a banda”. A Thousand Suns e seu ambiente lidam com o assunto de uma guerra nuclear em potencial, mas é também uma oportunidade para Bennington e Shinoda colocarem as idéias da banda para fora do peito – mas só até certo ponto.



“Apesar do nosso nível de conforto ao falar de coisas que são realmente um pouco desconfortavéis ou controversas – como letras de cobranças sociais, religião, política ou qualquer outra coisa – nós não queremos passar um sermão”, afirma Bennington. “Não queremos dizer às pessoas o que pensar ou o que sentir. E isso é difícil quando você está falando sobre isso.”



(Nota: Bennington, do Arizona, ainda não coíbe condenar o atentado contra a vida da Rep. Gabrielle Giffords do Arizona que custou a vida de seis pessoas e feriu várias outras em Tucson apenas dois dias antes desta entrevista. Leia as informações sobre o que ele pensa disso no BrowardPalmBeach.com).



Agora o tempo para digerir o A Thousand Suns estritamente como um cd está chegando. Depois de passar um tempo aperfeiçoando o material em estágios no exterior, o sexteto está pronto para lançá-lo na América do Norte, com a primeira data no BankAtlantic Center em Sunrise. Como medida de controle de qualidade tanto quanto um aumento de vírus, o Linkin Park tem divulgado que cada participante do show pode obter gratuitamente um “bootleg” para download do concerto enviando um sms com o código exibido em cada local. A julgar pelas set lists, os fãs que ainda estão desconfortavéis com o novo material terão que mergulhar nele em breve.



“Eu pessoalmente gostaria de sair e tocar o álbum todo do começo ao fim e tê-lo estabelecido lá fora,” Bennington admite. No entanto, “isso é algo sobre o que não temos falado.”



Em vez disso, quem for ao show pode esperar o que ele chama de visuais e artísticos “bolsões” de canções do A Thousand Suns, bem como “dez ou 11 faixas número um dos outros álbuns.”



“Desde o Hybrid Theory, quando tivemos um recorde, esta é a primeira vez que tocamos muitas canções de um só álbum durante um show”, diz Bennington. “Nós sempre escolhíamos cinco ou seis músicas de cada álbum, e agora estamos literalmente tocando quase todo o cd, inclusive os interlúdios”.



Além disso, as opções para a abertura dos show estão insinuando o estado artístico da mente da banda. O apoio na turnê norte-americana vem de duas bandas inglesas de eletro-rock, Does It Offend You, Yeah? e Pendulum, e em alguns shows, os pioneiros da junção de punk com eletrônico, The Prodigy. Quando questionado sobre as bandas que atualmente despertam seu interesse, Bennington fez o que qualquer consumidor de música esclarecido faz nos dias de hoje – pegou sua coleção de MP3. (Tecnicamente, ele não disse que estava fazendo isso, mas ele repassou suas bandas favoritas em uma perfeita ordem alfabética.)



“Eu amo Airborne Toxic Event, Broken Bells, Cage the Elephant, Civil Twilight, Crash Kings. Eu acho que o segundo álbum do Dead Weather é incrível. O primeiro eu não achava muito – eu sentia que eles estavam quase lá, e eles conseguiram no segundo. The Delta Fiasco. Eu gosto do The Horrors, Iron & Wine, MGMT, Miike Snow, Mumford & Sons, the National, Neon Trees, Towers – não são novas, mas eu as amo. Gosto de bandas desse tipo.”



Na confusão das bandas recentes, é mais fácil perceber que o Linkin Park realmente não está tentando reviver a glória do Hybrid Theory cada vez que os caras lançam um disco. Além disso eles tem projetos paralelos esperando nos bastidores, Bennington sempre em frente com seu lado rock (Dead by Sunrise) e Shinoda solidificando a sua presença de hip-hop (Fort Minor). Neste ponto, Bennington admite que é difícil saber para onde o Linkin Park pode ir depois do A Thousand Suns, mas diz que o atual caminho é o certo.



“Nós sentimos que estamos em um lugar muito bom com nossa criatividade”, diz ele, “em termos da filosofia do que queremos alcançar como banda e em termos do estilo que estamos trabalhando, como ele está funcionando. Nós atiramos as regras pela janela, e foi uma experiência libertadora. Nós pensamos, ‘Se nós escrevemos uma canção que está com malditos oito minutos de duração, é porque são oito, do caralho, longos minutos’.”