Parece que a maioria dos fãs ainda associam o Linkin Park ao som do nu-metal que a banda ajudou a tornar popular na última década. Mas isso é passado e estamos no presente agora.
O álbum mais recente do grupo, A Thousand Suns, traz a banda tornando sua música ainda mais diversificada. Nesse cd o Linkin Park juntou-se pela 2º vez ao produtor Rick Rubin para criar um álbum que possui tudo, desde os tambores tribais, amostras de um discurso de Martin Luther King Jr. à até mesmo uma faixa acústica fechando o álbum “The Messenger”.
O Linkin Park está com a cabeça na turnê norte-americana do A Thousand Suns que começa no dia 20 de janeiro em Sunrise, Flórida, e termina aqui em Phoenix em 28 de fevereiro no US Airways Arena.
Up on the Sun falou recentemente com Chester Bennington, o cantor do Linkin Park que é de Phoenix e tem uma casa e uma loja de tatuagem aqui, por telefone para conversar sobre a nova direção musical da banda, o trabalho com Rubin, e algumas das diferenças da turnê aqui nos EUA em relação ao exterior. Ele falou também sobre o filme em que esteve ano passado, Saw 3D.
Up on the Sun: Vocês terminaram a parte européia e australiana da turnê em dezembro, como foi?
Chester Bennington: Na Europa foi incrível, sempre é. A cada retorno ela está maior e mais louca, é foda. A Austrália é um lugar onde ainda não fomos muito por isso ainda estamos, tipo, sendo descobertos pelas pessoas de lá. Mas os shows foram muito bons. Acho que, com exceção dos dois primeiros shows, onde eu particularmente sinto que não fiz as coisas direito, os shows foram incríveis. É sempre divertido sair e mostrar um novo álbum às pessoas, especialmente da forma como este está funcionando em conjunto com os anteriores. Foi muito divertido ver as pessoas nos descobrindo. É impressionante.
UOTS: É estranho para você passar de uma banda tão conhecida aqui nos Estados Unidos para uma desconhecida no exterior?
CB: Sim, quero dizer, fizemos alguns shows onde nós estávamos tocando para cerca de mil pessoas e no dia seguinte nós tocaríamos em uma arena com vinte ou trinta mil pessoas. Então, tínhamos um tipo de público misto, mas era muito legal. Para muita gente era a primeira vez nos vendo ao vivo e era divertido ir até as pessoas após o show e ouvir o que eles tinham a dizer. Eu acho a Austrália um lugar incrível e as pessoas de lá são maravilhosas e eu meio que não queria sair de lá. Eu pensava, “Sabe, acho que vou ficar aqui por um tempo.” Mas então eu tive que vir embora.
UOTS: Quais as maiores diferenças que você encontra ao fazer turnês no exterior e comparar com as turnês no EUA?
CB: Eu vou tentar não generalizar América e Europa mas eu acho que a moda que está pegando aqui, no Estados Unidos, é a ídeia de um verdadeiro festival de música, onde você pode encontrar vários estilos musicais diferentes e várias coisas diferentes para experimentar. Isso já é muito comum na Europa. Você pode ir e ver artistas de blues, pop, rock, hip-hop e jaz tocando nos mesmos dias. Aqui rolou algo meio anos 60, mas não deu muito certo e se tornou uma coisa muito misturada e meio forçada. Eu acho que essa é uma das principais diferenças de tocar na Europa, especialmente nos festivais, você pode tocar com diferentes tipos de bandas as quais normalmente você não veria tocando juntas.
UOTS: Vocês terminarão sua parte norte-americana da turnê em Phoenix. Tocar em Phoenix tem algum significado especial para você?
CB: Em certos pontos tem sim e em outros é uma espécie de pé no saco, da mesma forma que tocar em Los Angeles é um pé no saco. Eu conheço várias pessoas, eu tenho vários amigos e conhecidos e todos querem ir ao show, então eu meio que só quero me esconder. Essa é a parte boa de tocar em uma cidade como Chicago, por exemplo, que é um lugar onde ninguém me conhece e eu não tenho que preocupar com isso. Quando você tem uma lista de convidados é de mais ou menos mil pessoas em Los Angeles ou no Arizona isso meio que se torna um tipo de emprego, [risos] é como um segundo emprego onde eu tenho que dar atenção à todos os convidados ou dizer não pra muita gente.
Mas, é realmente divertido tocar em casa. Eu gosto de dizer que é tipo nossa cidade natal, porque eu sou de lá. Estou muito animado para tocar no US Airways Arena, porque eu acho que não tocamos lá antes. Praticamente todas as vezes que nós tocamos lá foi do lado de fora, por isso será bom ir para dentro e fazer um show com uma grande produção, uma boa configuração de palco e não teremos 115 graus nem granizo e chuva caindo em todo mundo.
UOTS: No último álbum da banda, A Thousand Suns, vocês experimentaram novos sons e um tipo de música que os levou em uma direção diferente. De onde veio a idéia de fazer algo diferente?
CB: Eu acho que ela se apresentou à nós quando começamos a trabalhar com Rick [Rubin] no Minutes to Midnight. Chegamos em um ponto onde estávamos realmente confortáveis pisando fora do som que nós achávamos que tínhamos que fazer, o tipo de música que precisávamos fazer. Existia uma ídeia vaga disso no Hybrid Theory e no Meteora, onde você pode ver que nós conseguimos uma diversidade de estilo, mas ainda sentíamos como se tivéssemos a necessidade de continuar fazendo a mesma coisa e trabalhar com Rick realmente abriu nossa mente. Nós queríamos fazer algo diferente, ele queria que fizéssemos algo diferente e ele era um ótimo e forte capitão no navio. Ele nos manteve no curso. Nós meio que trouxemos algo do Minutes to Midnight para este álbum, eu acho que sonoramente, várias coisas que usávamos como textura, tipo vários elementos eletrônicos, tiveram um maior destaque nesse álbum. O que, por sua vez, facilitou com que as coisas soassem diferentes e nós tínhamos uma dúvida em nossa filosofia, se iríamos seguir o que sentíamos que devíamos fazer, ou seguir o instinto de ‘colocar uma guitarra pesada aqui’, então decidimos que não íamos fazer a mesma coisa, estávamos indo para uma direção diferente. Isso soa mais fácil do que realmente foi mas ao olhar para trás, as decisões mais simples foram as que nos possibilitaram chegar à um som tão diferente.
UOTS: O quanto Rick Rubin influenciou no som do novo cd?
CB: Esse realmente não é o papel que Rick exerce com a gente. O som, na minha perspectiva, veio realmente da banda e uma boa parte se deve à Mike Shinoda. Eu acredito que Mike realmente seja a arma criativa na nossa banda. Ele escreve várias músicas, ele tem idéias muito claras, a banda não seria a banda sem Mike. Por isso, nós precisamos de alguém fora da banda que traga uma nova perspectiva e nos diga quando algo está soando muito seguro ou previsível, e é aí onde Rick entra. Nós temos uma grande habilidade em pegar músicas que não são tão boas e fazer um som realmente bom, mas ainda não fica uma boa música. Basicamente, eu chamo isso de polimento de merda, podemos polir merda muito, muito bem e Rick pode chegar e dizer: “Eu não estou sentindo isso, soa bem, está bem produzido, parece bom, mas eu simplesmente não estou sentindo isso.” Essa sensação sobre a qual ele fala é onde seu talento reside.
UOTS: Vocês já começaram a trabalhar no próximo álbum, certo?
CB: Nós mantivemos a bola da criatividade rolando. Nós da banda em particular, não queríamos parar, tipo desligar isso enquanto íamos para a turnê e tentar religar quando tivéssemos voltado. Queríamos deixar rolar enquanto estávamos na estrada porque a maneira que nós sentíamos que estávamos trabalhando era muito boa. Então, temos trabalhado em músicas, há várias demos novas, eu tenho muito material no qual estive trabalhando. Então, sim, definitivamente a produção do próximo álbum está acontecendo agora.
UOTS: O som do novo álbum vai manter um fluxo com o do último álbum ou vai continuar fluindo em novas direções?
CB: Eu não tenho idéia de como o próximo álbum vai soar. Eu cometi o erro de tentar explicar como seria o Minutes to Midnight uma vez, estávamos passando por uma fase em que escrevíamos músicas com super, super guitarras pesadas, que levava à um som pesado do caralho e tinha muito disso. E eu dei uma entrevista para a revista Rolling Stone e eles me perguntaram como o álbum soaria, e eu disse que Minutes to Midnight seria o disco mais pesado que já fizemos no Linkin Park e quando o disco saiu, foi basicamente o oposto. Então, eu aprendi minha lição quanto a isso.
UOTS: A banda está trabalhando em algum outro projeto para 2011?
CB: Nós temos alguns projetos em andamento, mas infelizmente eu não tenho a liberdade de dizer o que são, ainda. Mas eu posso lhe dizer que há algumas coisas que nós fizemos que são incríveis. Portanto este ano, enquanto nós estivermos em turnê e estivermos trabalhando no novo álbum, também esperamos que apareçam algumas coisas para os nossos fãs, as quais eu acho que vão ser boas.
UOTS: E quanto a você, particularmente? Você esteve em Saw 3D ano passado, planeja atuar mais?
CB: Eu não sei, cara, aquele foi um filme realmente ruim. Foi muito divertido. Eu não saio e faço audições para filmes constantemente. Eu tenho muita coisa pra fazer, em casa eu tenho cinco filhos e a minha esposa e tenho o Linkin Park, na verdade eu mal tive tempo, eu tive que espremer o álbum do Dead by Sunrise. Eu acho que estou realmente muito feliz, estou muito feliz sobre onde as coisas estão agora e gosto do caminho em que estou. Então, estou ansioso para fazer o próximo álbum do Linkin Park, estou ansioso para terminar essa turnê e voltar para o estúdio. Tudo que eu quero fazer é sentar no estúdio e fazer novas gravações, isso é tudo que eu quero fazer. Esse é o meu objetivo. Eu quero voltar para o estúdio o mais cedo possível e fazer mais algumas músicas.
























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