Por Denise Quan, CNN
30 de março de 2011 às 17:21



Los Angeles (CNN) – Mike Shinoda viu as imagens da devastação no Japão e soube que tinha que fazer alguma coisa.
O co-vocalista do Linkin Park foi imediatamente para o Twitter e pediu a seus fãs para trocarem idéias sobre uma camiseta em benefício das vítimas do terremoto de 9.0 graus e do tsunami, que ceifaram a vida de mais de 11.000 pessoas e deixaram mais 17.000 desaparecidos.
Alguém sugeriu um origami de um guindaste. Shinoda, graduado no Art Center College of Design em Pasadena, Califórnia, pensou que um origami de borboleta seria mais adequado.



“Isto é um símbolo maior do renascimento — você sabe, a lagarta se transformando em borboleta”, disse ele.
A camiseta preta e branca com a borboleta e uma segunda camiseta com as palavras “Not Alone” estampada na parte frontal estão disponíveis no site do grupo Music For Relief (musicforrelief.org), com todos os rendimentos beneficiando os esforços de socorro do Save the Children no Japão.



Há também a iniciativa do Download to Donate, onde os fãs podem com um mínimo de $10 acessar um álbum digital com faixas inéditas de um número crescente de artistas — incluindo R.E.M., Angels & Airwaves, Sara Bareilles, The Ting Tings, Talib Kweli e Slash. A última faixa é uma música instrumental do Linkin Park inspirada no tsunami que se chama “Issho Ni”.
“Music for Relief não é Linkin Park for Relief”, diz Shinoda. “Agora, temos pessoas presentes no Conselho do Music for Relief, que são da MTV, do Fuse, e de outras bandas. Esperamos que outros artistas sintam-se bem-vindos para embarcar e contribuir de alguma forma”.



O Linkin Park fundou o Music for Relief em 2005, após o tsunami no Oceano Índico que causou destruição em massa e perdas de vidas desde Sri Lanka até a Indonésia.



“Nós tínhamos acabado de fazer uma turnê no Sudeste Asiático, e quando chegamos em casa, fomos ver as imagens da devastação nos noticiários — e isto estava acontecendo nos lugares que havíamos visitado”, disse Shinoda. “Acho que em primeiro lugar e na maior parte das vezes, temos a tendência de nos envolver em empreendimentos que estão mais próximos de nossos corações”.



Desde então, Music for Relief diz que tem levantado mais de $3.9 milhões para vítimas de desastres naturais em todo o mundo, incluindo o furacão Katrina, os incêndios no sul da Califórnia e na Austrália e as inundações das monções no Paquistão. Shinoda afirma que a organização do programa Download to Donate for Haiti já arrecadou mais de $270.000.



A CNN conversou com Shinoda na sede do Music for Relief em Beverly Hills, Califórnia.



Michael Kenji Shinoda é metade japonês, metade americano. Seus avós paternos foram arrancados de suas casas e mandados com os seus 12 filhos para um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.



CNN: Você tem amigos ou parentes que foram afetados pelo terremoto e pelo tsunami no Japão?
Mike Shinoda: Eu tenho vários amigos lá, especialmente o pessoal da nossa equipe no Japão. Eu imediatamente entrei em contato com nosso gerente de produção, e ele me ajudou a enviar e-mails e investigar como todos estavam. Felizmente para nós, todos os nossos amigos estão bem.



Mas houve alguns sustos. A irmã de um dos meus melhores amigos estava em Sendai. Demorou mais de uma semana para encontrá-la. Isso foi realmente assustador.



CNN: O desastre inspirou você a escrever alguma música?
Shinoda: Eu escrevi uma música com base no que eu estava vendo nos noticiários sobre o Japão, que está incluída no Download to Donate. Decidimos chamá-la de “Issho Ni”. Basicamente, a tradução aproximada é “estamos nisso juntos”. A música não tem letra. Já que eu escrevi uma letra, mas não senti que as palavras estavam tornando-a melhor. Não soava tão universal com as palavras. Espero que nossos fãs japoneses possam se relacionar com a música e entendê-la.



CNN: Várias músicas do Linkin Park têm um tipo de sentimento apocalíptico. Vão quase lado a lado com o pano de fundo daqui.
Shinoda: Nosso DJ, Joe Hahn, já dirigiu muitos dos nossos vídeos. Acho que no vídeo anterior, eu brinquei com ele: “Podemos parar de fazer vídeos pós ou médio-apocalípticos depois deste? Podemos fazer uma pausa?”.



Eu acho que podemos olhar para Joe para conseguir as respostas sobre por que essas imagem continuam aparecendo. Eu sei que isso combina com a natureza conceitual do nosso novo álbum, “A Thousand Suns”, esse é apenas o material que está em nossas mentes, coletivamente.



Boa parte do mateiral deste disco foi escrito de uma forma muito solta, uma espécie de forma subconsciente. Era como se fosse o mesmo tipo de escrita que você faz quando senta ao telefone e rabisca uma agenda de anotações. É uma espécie de fluxo de consciência.



CNN: Talvez este seja o tipo de coisa em que esta geração pensa. O mundo se tornou um lugar muito dramático, em termos de temperaturas extremas e de desastres naturais.
Shinoda: Nos últimos dois discos, “Minutes to Midnight” e “A Thousand Suns”, nós nos tornamos muito conscientes do nosso lugar neste planeta, nossa influência sobre o planeta — não quero dizer nossa banda, mas a influência de nós, seres humanos, nos lugares em que vivemos.



Isso é em parte função do envelhecimento. Em parte função de nós viajarmos muito, de fazermos turnês em muitos lugares diferentes. Quer dizer, só para lhe dar uma idéia, em um ponto neste ciclo do álbum atual, para cada álbum que vendíamos nos Estados Unidos, eu acho que nós estávamos vendendo seis, sete ou oito fora dos States.



CNN: Porque a base de fãs online de vocês é muito grande, vocês podem mobilizá-los rapidamente.
Shinoda: Esta geração está muito em sintonia com o que anda acontecendo em nosso mundo online. Nós realmente vimos isso com o Haiti. Encontramos uma das simples maneiras das nova formas de contribuir a qual se dá através de sms-para-doar nas campanhas. Fizemos nossa própria campanha com o Music for Relief for Haiti. Temos outra acontecendo agora pelo Japão. Basicamente, você envia “MFR” para 85944 para fazer uma doação de $10 usando seu telefone celular. Tem tanta coisa acontecendo na vida das pessoas que elas querem fazer tudo mais fácil e rapidamente.



Cem por cento das doações para o Music for Relief fluem diretamente para o Japão, e para nosso parceiro, Save the Children. Cem por cento — acho que é um número muito bom.



CNN: Vocês têm planos de turnê para o Japão?
Shinoda: Nós vamos estar em turnê no Japão no final do ano. Vai ser um processo contínuo. Enquanto estivermos lá, veremos o que podemos fazer para ajudar também.



CNN: Será que os caras do Linkin Park sempre tiveram esse tipo de consciência, ou isso é algo que surgiu conforme a banda se tornou mais bem sucedida?
Shinoda: Eu acho que com o sucesso da banda veio o interesse pela caridade. Fomos muito abençoados, e queríamos compartilhar isso com outras pessoas. Music for Relief é uma organização que proporciona ajuda para aqueles que são vítimas de desastres naturais.



Mas não queremos apenas ‘clicar em limpar’. Temos também esforços em andamento que são voltados para a mitigação dos efeitos das alterações climáticas, por exemplo. A plantação de árvores. Damos um dólar de cada ingresso de show vendido para esses esforços do Music For Relief. Acho que até o final desta turnê, teremos plantado um milhão de árvores. Esse é um daqueles lugares onde nossos corações estão, e nós sentimos que temos a sorte de estar em posição de poder fazer algo sobre isso.