Chester Bennington e Mike Shinoda falaram sobre seu novo álbum sombrio e sua turnê altamente tecnológica



Por Tamara Palmer
Especial para Metromix
18 de janeiro de 2011



Linkin Park é uma das bandas de rock mais quentes em termos de vendas no país, parte de um seleto grupo de artistas que venderam mais de 10 milhões de cópias de um único álbum. Depois da “esgotada” turnê européia, os co-vocalistas Mike Shinoda e Chester Bennington realizaram uma teleconferência de imprensa para compartilhar seu entusiasmo com a excursão pelos Estados Unidos, que contará com performances ao vivo das músicas do atual álbum da banda, “A Thousand Suns” bem como os clássicos favoritos de toda a carreira do Linkin Park.



Uma gravação grátis de cada show estará disponível para quem comprou ingresso, e 1 dólar de cada bilhete vai para o Music for Relief, uma organização sem fins lucrativos da banda, que beneficia as vítimas de desastres naturais ao redor do mundo.



Sentindo-se particularmente energizados, mais de uma década depois da estréia do Linkin Park, Shinoda e Bennington explicaram como explorar alguns temas musicalmente desconfortáveis e repletos de medo neste álbum que tornou os integrantes da banda amigos mais próximos que antes.



O que levou vocês a explorarem temas sombrios e pesados no “A Thousand Suns?”
Mike Shinoda: O que aconteceu foi que nós seis sentimos que havia um temor universal que eu acho que várias pessoas tem nos dias de hoje: aquele medo, esteja ele na superfície ou no fundo de sua mente, de a humanidade como um todo estar, e tem estado por muito tempo, à beira da sua própria destruição. Se vai ser rápida ou devagar, são apenas possibilidades existentes, e acho que estamos todos com medo disso em algum sentido. Então foi mais ou menos assim que nós decidimos que… era apropriado ter isso como parte do álbum.



Vocês, ao longo dos anos, já se depararam com alguma letra que desafiou o resto da banda a escrever uma música que estivesse à altura das palavras que lhes foram apresentadas? E por outro lado, os caras já criaram uma música que inspirasse vocês à escreverem uma letra que eles realmente esperavam ouvir?
Chester Bennington: Esta é provavelmente a pergunta mais interessante que já me foi feita sobre nosso trabalho. Eu acho que nossos estilos são diferentes quando trabalhamos individualmente… mas quando estamos juntos, algo muito especial acontece. Nós dois estamos trabalhando intimamente nas letras, mas então você tem outra pessoa que entra, dá uma olhada e diz, “Sabe, eu não estou sentindo essa linha. Isto parece um pouco óbvio ou clichê, vamos encontrar uma maneira melhor de dizer isso.” Eu acho que isso funciona muito bem porque nós dois temos que cantá-la e ambos temos que sentir isso de uma maneira muito real e de uma forma muito honesta.



O novo material do Linkin Park já está à caminho? Vocês escrevem na estrada?
MS: Sim e estamos sempre compondo. Eu acho que nós nos beneficiamos do fato de que a tecnologia da escrita e da gravação de músicas se tornaram compactas e fáceis de transportar no laptop, por exemplo. Eu recebo e-mails dos caras da banda, dizendo: ‘Ei, você quer se reunir para escrever algumas coisas? O que você está fazendo? Você está com algum equipamento na estrada?’ e eu suponho que depois eles estarão batendo na porta do meu quarto para colaborar com algumas idéias.



Vocês escreveram alguma coisa enquanto estavam em sua recente turnê europeia?
MS: Sim, sim, algumas idéias. As melhores coisas que eu fiz nas últimas viagens dessa turnê na verdade estão no meu IPAD. Eu uso alguns aplicativos diferentes e, sim, eu fiz algumas coisas que eu gostei.



Qual a aprência do seu novo show?
MS: Bem, o visual do show tem muito a ver com os “tópicos” do “A Thousand Suns”, vários temas que estão no novo cd assumem um papel central no visual do show. Nossa equipe de arte desenvolveu uma tecnologia nova e específica para esse show e que tem muito a ver com o fato de que no nosso show nós não tocamos exatamente a mesma coisa toda noite. Tocamos diferentes set lists e improvisamos dentro delas, por isso queríamos um caminho para o visual do show manter um tipo de fluxo e refluxo com o que fizéssemos com a música. Então, a cada noite as músicas são diferentes e o visual também. Não existem dois shows iguais.



Ao olhar para trás, quais as maiores lições que vocês aprenderam em mais de uma década de trabalho?
MS: Por enquanto, eu sinto que fizemos várias coisas certas. Nós tivemos muita sorte. Em 10 anos, a maioria das pessoas esgotam suas gamas, então para nós é mais uma questão de tentar ser a banda que queremos ser e aprender com nossos erros e acertos. Eu definitivamente gosto de onde estamos agora. Criativamente, eu sinto que a banda está realmente energizada. “A Thousand Suns” foi realmente um álbum importante para nós e não apenas a nível criativo, mas também em relação à nossa amizade. Eu acho que as coisas estão muito positivas e por isso estamos ansiosos para ver o que o futuro reserva.